Ali ali só ali se se alice ali se visse quanto alice viu e não disse se ali ali se dissesse quanta palavra veio e não desce ali bem ali dentro da alice só alice com alice ali se parece (Paulo Leminski)
terça-feira, 25 de julho de 2017
Poço.
O poço tinha olhos. No início dos tempos, o poço não era tão fundo. E os olhos reconheciam lampejos de luz. Aos poucos, o poço foi ficando fundo, mais fundo, até o mais fundo do fundo. Mas os olhos aprenderam a fitar, atentos, além da escuridão. Nesses tempos da escuridão do fundo do poço, havia água cristalina. E os olhos boiavam felizes e molhados.Mas logo o fundo do poço ficou ainda mais fundo do que o fundo. E, naquele fundo, a água secou. Mas os olhos aprenderam a fitar, alertas, além da aridez. E assim, de fundo em fundo, descobriram que poço não tem fundo. Mas os olhos aprenderam a fitar, cegos e secos, além, muito além do poço e seu fundo.
(Publicado no grupo MINICONTOS em 24.10.2014. Palavra-chave: POÇO)
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Um pequeno passo para o homem.
"E lá se foi o homem conquistar os mundos lá se foi... Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi... Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão... A lua foi alcançada afinal... Muito bem... Confesso que estou contente também..." (Lunik-9 - Gilberto Gil - 1967)
No dia 20 de julho de 1969, um domingo, os olhos do mundo acompanharam pela televisão, como o maior filme de ficção de todos os tempos, o icônico "um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade".
Calcula-se que 1 bilhão de pessoas viram Neil Armstrong escorregar na escada da pequena nave, mas levantar, com firmeza, o pé esquerdo para marcar o solo do Mar da Tranquilidade. Vimos Edwin Aldrin juntar-se a ele para caminharem na superfície lunar por 2 horas e 45 minutos.
Quem viu, jamais esquecerá. Um dos momentos inesquecíveis da história da humanidade e que a minha geração teve o privilégio de testemunhar.
Quarenta e oito anos depois, a configuração espacial segue em permanente transformação. O nosso sistema solar ganhou planetas anões, pelo menos outro sistema semelhante foi descoberto e até uma Mega-Terra foi identificada!
Para nós, leigos ou, pelo menos para mim, não fica claro o quanto os inegáveis e importantíssimos avanços científicos têm contribuído para soluções para o nosso planeta azul. Os investimentos astronômicos nesse área não parecem proporcionais ao quanto essas descobertas podem efetivamente melhorar a nossa vida tão comprometida. Retrocedemos anos-luz nas questões sociais cruciais e, com isso, o universo infinito perdeu encanto e interesse.
Mas, ainda assim, a imagem da marca no solo lunar sempre emociona!
E a Lua, linda, misteriosa e voluntariosa mantém intacta a sua influência nos nossos ciclos e marés pessoais e coletivos. E continua a atrair nossos olhares e suspiros. E ainda inspira poesias e amores.
No dia 20 de julho de 1969, um domingo, os olhos do mundo acompanharam pela televisão, como o maior filme de ficção de todos os tempos, o icônico "um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade".
Calcula-se que 1 bilhão de pessoas viram Neil Armstrong escorregar na escada da pequena nave, mas levantar, com firmeza, o pé esquerdo para marcar o solo do Mar da Tranquilidade. Vimos Edwin Aldrin juntar-se a ele para caminharem na superfície lunar por 2 horas e 45 minutos.
Quem viu, jamais esquecerá. Um dos momentos inesquecíveis da história da humanidade e que a minha geração teve o privilégio de testemunhar.
Quarenta e oito anos depois, a configuração espacial segue em permanente transformação. O nosso sistema solar ganhou planetas anões, pelo menos outro sistema semelhante foi descoberto e até uma Mega-Terra foi identificada!
Para nós, leigos ou, pelo menos para mim, não fica claro o quanto os inegáveis e importantíssimos avanços científicos têm contribuído para soluções para o nosso planeta azul. Os investimentos astronômicos nesse área não parecem proporcionais ao quanto essas descobertas podem efetivamente melhorar a nossa vida tão comprometida. Retrocedemos anos-luz nas questões sociais cruciais e, com isso, o universo infinito perdeu encanto e interesse.
Mas, ainda assim, a imagem da marca no solo lunar sempre emociona!
E a Lua, linda, misteriosa e voluntariosa mantém intacta a sua influência nos nossos ciclos e marés pessoais e coletivos. E continua a atrair nossos olhares e suspiros. E ainda inspira poesias e amores.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Ah! Ça ira, ça ira, ça ira!
O Bastião de Saint Antoine foi construído por Carlos V em 1370, durante a Guerra dos 100 Anos contra a Inglaterra, com o objetivo de defender a entrada do bairro de Saint Antoine em Paris.
Era uma fortaleza retangular de 90 m de comprimento x 25 m de largura, com 8 torres de 30 m de altura cada, 2 pontes levadiças cercadas por um fosso coberto pelas águas do Sena e que davam acesso a 2 torres que guardavam o lado leste da cidade.
Internamente, a Bastilha tinha 3 andares: o andar superior abrigava as celas mais confortáveis; o andar térreo abrigava as celas comuns e, no calabouço, o espaço era apenas para se ficar de pé.
No século XV, a Bastilha foi transformada em prisão e, a partir do século XVII, recolhia os intelectuais e nobres que discordavam do regime político.
Em 14 de julho de 1789, a Bastilha, um dos maiores símbolos do absolutismo francês, foi atacada e incendiada até ruir. A Queda da Bastilha tornou-se o marco da Revolução Francesa e soprou os ventos de liberdade, igualdade, e fraternidade por toda a Europa.
A demolição oficial do que restou da edificação foi coordenada por Jean-François Palloy, que utilizou as pedras remanescentes para terminar a Pont de la Concorde. Não há como não sentir um certo arrepio ao pisar essas pedras quando se visita Paris e perpetuar a enorme transformação que elas simbolizam. As pedras reutilizadas mantêm o valor histórico enquanto relembram a sua importância. Não se esquece o que representou e o que permitiu.
Sempre me lembro dessas pedras diante dos graves fatos políticos que têm assolado a nossa frágil democracia. Meu filho, diante do meu repúdio aos ataques de destruição em manifestações populares sempre me lembra: 'Mã, você acha que na Tomada da Bastilha as pessoas ficaram gritando "as pedras da Bastilha, não!! Não destruam a Bastilha!!"? Ele tem razão.
Penso em Brasilia, a nossa Bastilha, ainda que sem qualquer glamour. E penso nos absolutismos e autoritarismos idiossincráticos e tão no contra fluxo dos ideais democráticos. Reis expostos. Reis nus. Reis pérfidos. Reis mergulhados em corrupção, favorecimentos, manipulações e conchavos e que relutam, com unhas, dentes e práticas escusas, a entregar o poder ao povo que verdadeiramente deveria detê-lo.
Penso em Brasilia, a nossa Bastilha torta, manca, aleijada, incapacitada, deturpada e contaminada. E árida, desértica, estéril de ventos de liberdade, igualdade e fraternidade.
E penso na sua queda urgente e tardia. E penso se há/haverá alguma ponte que mereça ser construída com suas pedras remanescentes entre nós e eles para preservar alguma memória grandiosa. Que me perdoe Niemeyer, mas penso que não.
Quando nossa Brasilia/Bastilha cair, que seja tragada pras profundezas do lago Paranoá.
terça-feira, 11 de julho de 2017
Nascemos há 30 anos!
Nascemos, eu e ele, no dia 11 de julho de 1987 às 16:00. Nascemos prematuros. Ele, por vontade própria e muita vontade de vida. Eu, pela vontade dele. E da minha também, claro, mas a partir daquele naquele dia em que nasci com ele, a minha vontade passou a contar muito pouco.
Ele nasceu pequenininho... Tão lindo... Nasceu canceriano, porque não seria leonino por nada! E nasceu num sábado, claro, porque estava predestinado a ser o rei dos weekends. Nasceu decidido e curioso. Entendeu o mundo pela dramaticidade. E assim , dramático, ousou alagar mundos.
Eu nasci muito mais insegura e medrosa. O mundo fora dele nos meus braços me parecia tão perigoso... Acho que eu nasci assim torta porque eu já tinha nascido antes. Eu já tinha sido outra antes de nascer com ele. E é tão mais difícil tornar-se outra do que tornar-se alguém...
E assim seguimos. Eu e ele. Aprendendo a ser. Como podíamos. Como podemos. Acho que ele aprendeu/aprende muito mais rápido. E eu, na cola dele. Tudo que eu sabia antes de nascer com ele ajudou. Mas pouco, muito pouco. Tudo o que eu sei hoje, e acho que sei bastante - ou, pelo menos o que mais importa - aprendi com ele.
Hoje completamos 30 anos. Três décadas. Não é pouca coisa. Mas é muito pouca coisa. Porque 30 anos passam mais rápido do que o piscar de olhos. Ou do que a menor medida do universo. Mas 3 décadas é também muita coisa. Porque 30 anos multiplicam o amor que a gente sente . Ou as emoções mais profundas e intensas que a gente tem vivido.
Eu tento me lembrar de quem eu fui antes de nascer com ele, mas não me encontro. Só sei ser com ele. Sou essa - e até me gosto, quase sempre - porque ele me ensinou a ser assim. Desafiando, abrindo caminhos que eu desconhecia, apresentando esses mundos alargados que eu olhava/ainda olho com desconfiança, me obrigando a entender, conhecer, refletir, experimentar.
Nesse dia em que comemoramos os nossos nascimentos, eu queria um mundo em que coubesse tudo que ele é. Porque ele é tanto! E queria um mundo que refletisse todas as coisas límpidas que ele produz. E queria um mundo que sonhasse os seus sonhos, e abraçasse seus abraços, e acolhesse a todos os que ele acolhe! Porque o mundo que ele pensa é muito muito muito melhor!
Daniel, meu filho!!! Feliz nova década!!! Que novos mundos continuem a te fazer feliz!!!
domingo, 25 de junho de 2017
Tia Lili.
Fui batizada tarde, já com 4 anos. Não havia jeito de juntar a tia Lili e o tio Abelardo, meu padrinho, e o tempo foi passando. Contam que minha introdução na comunidade católica não foi das mais exemplares. Com 4 anos, o padre da Igreja de Santana no bairro da Serra, em Belo Horizonte, achou que eu já podia participar e me fez diretamente duas perguntas: (1) você quer ir para o Céu? e (2) você gosta do papai do Céu?, para as quais recebeu prontamente as respostas: (1) não, eu quero ir pra casa e (2) não, eu gosto é do Papai Noel. Mas não foi por isso que deixei de ser "limpada" do pecado original!
Vocês tinham que conhecer a tia Lili. Não tinha igual! Mulher guerreira, resistente, resiliente. Jornadas duplas, triplas, quádruplas, para dar conta do trabalho e de 5 filhos. Nada foi fácil. Nada veio fácil. E ela sempre na luta.
Mas a luta da tia Lili era com o sorriso mais escancarado do mundo! Ninguém ria como ela! Ela é a minha risada inconfundível e inesquecível! E o maior exemplo de como o humor, o bom humor, suaviza e dá leveza aos momentos árduos e áridos da vida.
Tia Lili também veio morar em Belo Horizonte um pouco depois de nos mudarmos para lá. Morávamos no mesmo bairro, dava pra ir a pé de uma casa pra outra. Ela morava numa casa de vila e tenho muitas lembranças de nossas tardes brincando na frente da vila. Ela e minha mãe se tornaram cunhadas-irmãs. Eram muito amigas!
Tia Lili sempre foi parte, fez parte. Mas ela tinha a qualidade rara de estar sem alardes. Apesar da risada solta, fazia-se desapercebida, discreta. E tão, tão, tão solidária.
E ela, como todos na família do meu pai, tinha o coração maior, muito maior do que o mundo! Um coração que acolhia quem precisasse, recebia quem coubesse. E sempre cabia! E ela sempre recebia!
E como cozinhava bem!! Ainda consigo sentir o gosto da sua maionese e do seu bolão de batatas! Meu filho Daniel diz que nunca comeu bolão igual, numa das visitas que fizemos quando ela, anos mais tarde, já morava em São José dos Campos.
Tia Lili virou estrela há 6 anos. E deixou um rastro de pó salpicante de saudades ternas e doces.
Hoje seria o seu aniversário de 90 anos. E o meu coração transborda de carinho e de orgulho por ter sido sua afilhada!
E tanto é assim, que ela foi minha madrinha duas vezes! Se, no batismo, a escolha foi dos meus pais, já adulta, a escolha foi minha! E foi com muito amor que a escolhi para minha madrinha de casamento e vivi a alegria de tê-la comigo e com a minha mãe no altar.
Tia Lili, hoje o dia é seu! E juro que te ouço rir aí no céu!
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Tio Orlando.
Tio Orlando foi o primeiro tio-sem-ser-tio das minhas lembranças. Ele e meu pai, ambos engenheiros agrônomos, se conheceram muito jovens, e se tornaram, desde então, amigos. Amizade que ultrapassou o respeito e admiração profissional e se estendeu às famílias que ambos formaram. Tio Orlando e tia Vera em São Paulo. Meu pai e minha mãe no Rio de Janeiro.
A minha primeira memória é uma visita que fizeram quando morávamos em Belo Horizonte. Foi em 1967, logo após o III Festival de MPB. Sergio Ricardo ter quebrado o violão ainda era assunto, e foi o gancho para quebrar o gelo entre esses "primos" que mal se conheciam. Tio Orlando e Tia Vera tiveram 6 filhos: 2 meninos e 4 meninas. Do nosso lado, éramos 4 meninas e 1 menino. Lembro-me de um passeio na Kombi do meu pai pela cidade, mas só para meninas. Os meninos ficaram com o meu irmão em casa. As 4 estavam impecáveis nas suas saias quilt e blusa branca. Achei lindo! E falamos sobre o festival.
Depois que voltamos para o Rio, os intercâmbios se intensificaram. Eu amava vir a São Paulo! Eles moravam numa belíssima casa no Pacaembu, numa rua pequenininha onde todos se conheciam e eram amigos! Era uma delícia passar as férias com eles e entre o sotaque tão diferente do meu. Naquela época, era sotaque. Hoje, é , com orgulho, a minha língua! Entre São Paulo e Campos do Jordão, fiz amigos, paquerei, namorei. Quantas lembranças boas!
Tio Orlando e tia Vera foram fundamentais na nossa mudança pra São Paulo e a nova geografia estreitou ainda mais o laço de carinho que une as nossas famílias. E minha mãe, depois da morte do meu pai, sempre teve neles o apoio e suporte que precisou.
Poderia escrever por horas a fio as memórias que tenho. De tudo que vivemos juntos. De tanto bem querer. De todas as risadas cúmplices. E também de todas as lágrimas solidárias.
Mas hoje só quero falar do tio Orlando. Uma das pessoas mais doces e generosas que conheci. Sempre tranquilo, jamais alguma palavra ríspida. Um olhar límpido. Disciplinado como nunca vi. Chegava em casa do trabalho e ia para o quintal pular corda. E pulava e pulava. Cuidava-se muito! Amoroso, caloroso, olhar que se iluminava quando ria. Foi por sua sugestão que consegui o meu primeiro emprego como professora de inglês em São Paulo. Jamais esqueci. Sempre agradeci.
Amigo leal, fiel, dedicado. E um pai presente, preocupado, interessado. Gostava de conversar. E como tinha histórias! Escutava. Muito. Ponderado. Justo. Amargou suas perdas - e não foram poucas - com dignidade e aceitação. Aceitação trabalhada e confortada pela religião que foi sempre seu guia. Seu tronco.
Tio Orlando virou estrela hoje. Aos 99 anos! Bem vividos 99 anos! Durante a despedida, estranhamente, sentia-se paz. Mais do que tristeza, celebramos a sua vida plena. Numa feliz alegoria, o padre valeu-se de sua profissão para enumerar as sementes fecundas espalhadas ao longo desses abençoados 99 anos. E foram tantas as sementes!
Meu coração transbordou de carinho pela tia Vera e meus primos - sem aspas - e suas próprias famílias já tão numerosas. Transbordou pelas doces lembranças de vida. Transbordou de tristeza inevitável, vendo a minha mãe e a tia Vera, ali, tão fragilizadas, amigas de toda uma vida.
E pensei na sorte que temos e no exemplo que tivemos de construir e legar amizades tão duradouras.
E agradeci por todos os tios e tias adotados - e são/foram muitos! - com os quais os meus pais nos presentearam. Tio Orlando foi o primeiro. E estabeleceu um patamar altíssimo para todos os outros que se seguiram!
Hoje o céu ganhou uma estrela de grandeza. E há de brilhar o seu brilho merecido!
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Neve Negra. Darín.Siempre él!
O cinema argentino é grande até quando não é grandioso. Neve Negra, lançado recentemente, é um bom exemplo. É bem verdade que ter Ricardo Darín como protagonista já confere a qualquer filme qualidade inquestionável. Darín é brilhante! É realmente um prazer vê-lo atuar em qualquer situação, em qualquer papel. Versátil e carismático, empresta-se aos seus personagens tão inteiramente que não se vê Darín em qualquer deles. E, no entanto, é Darín em todos eles! Só um grande ator, desses raríssimos, consegue ser tanto justamente pela ausência.
Neve Negra é um filme de suspense, mas que, propositalmente, entrega a sua previsibilidade. Portanto, não nos surpreendemos nem crescemos na angústia esperada dos thrillers, embora nos mantenhamos atentos e sem desviar a atenção um segundo sequer!
Dramas familiares sempre produzem bons enredos. Segredos inconciliados, mais ainda. Ainda mais quando revelam famílias disfuncionais e com consequências irreversíveis. E esse é o pano de fundo que permite o (des)acerto de contas entre dois irmãos. E o embate entre Salvador (Darín) e Marcos(Sbaraglia) é tenso, intenso e apenas quebrado pela intervenção de Laura (Laia Costa) que, desconhecendo a história familiar, é os olhos do público no meio da trama, descobrindo, como nós, os segredos não revelados. O trio é harmônico, equilibrado e coeso. Mas Darín, sem dúvida, brilha como o ermitão grosseiro, agressivo e ressentido.
A ambientação na Patagônia é responsável pela construção da tensão e o exterior inóspito torna-se, assim, o quarto personagem. A neve branca permanente contrasta com o interior - literal e psicológico - escuro e sombrio. O som do frio e do vento são muito bem trabalhados e sentimos o mesmo frio durante todo o filme. Não há descanso do vazio, do gelado, do isolamento. Há desconforto nessa permanência.
Neve Negra não é um suspense brilhante. Mas trabalha a temática familiar com muita competência e verdade. E apresenta belíssima fotografia para desvendar os segredos tão bem escondidos nas montanhas cobertas pela neve branca. Ou azulada. Ou escarlate. Ou, essencialmente, negra.
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