quarta-feira, 18 de abril de 2018

Dia do" Era uma vez" verde e amarelo.








É no  encontro com qualquer forma de literatura que ampliamos, transformamos e enriquecemos nossas experiências de vida. A literatura infantil, como primeiro contato da criança com a infinitude do universo literário, tem importância vital no seu desenvolvimento!  É através do prazer, da entrega, da curiosidade,  da identificação e da imaginação que ela aprende  a coordenar palavras, ideias e emoções e, a partir daí, formular suas visões individuais de mundo.

Uma vez estabelecida - com sucesso - essa relação, as possibilidades são ilimitadas! E a criança mergulha em descobertas e explorações de labirintos reveladores e surpreendentes! Dela e do mundo que acerca.

Fábulas, Contos de Fadas e Lendas. A literatura infantil constituiu-se, desde os seus primórdios, no fantasioso e maravilhoso. E essa linguagem metafórica comunica-se facilmente com o pensamento mágico e natural da criança.Os significados simbólicos dos contos maravilhosos estão ligados aos eternos dilemas que enfrentamos ao longo do nosso amadurecimento emocional. E as dicotomias apresentadas na literatura infantil - bela/feia, boa/má, poderoso/fraco, etc - lidam com valores perenes. O que muda, através das gerações, é o que se define como certo/errado.

Tive a sorte de vir de uma família que valorizava e incentivava a leitura desde a mais tenra idade! E também a sorte de frequentar ambientes escolares que ensinaram e exploraram o gostar de ler!

A estante sempre teve lugar de destaque na minha casa. E nela, perfilavam-se coleções encadernadas dos clássicos da literatura: Reino Infantil, Croni, Machado de Assis, José de Alencar, Malba Tahan, Sherlock Holmes, Coleção Menina e Moça (mais do que apropriado para uma casa com quatro mulheres!etc, etc, etc... E, claro, Monteiro Lobato!

Monteiro Lobato... Determinante na minha relação com a leitura. Sem dúvida alguma, a maior influência! Inestimável. Incomparável. Inigualável. Desbravador e libertador da minha emoção literária. Li-o, reli-o. Avidamente. Repetidamente. Apaixonadamente. Deslumbrada. Maravilhada. Tocada. Transformada. Sonhei e vivi aventuras. Com e sem o pó de pirlimpimpim. Estive em todos os reinos, de Águas Claras à Grécia de Hércules. Mas fui sempre brasileira. De saci-pererê e onça pintada. Fui vários. Todos. Narizinho faceira, Pedrinho valente, Visconde sábio. E, embora não me lembre sob que circunstâncias, certamente fui também Rabicó alguma vez. E fui Emília espevitada quase sempre. Ou, pelo menos, na vontade de ser. Minha grande heroína! E senti pontadas por Dona Benta. E salivei as quitutes da preta negra Tia Nastácia. E nem por isso cresci racista!

Monteiro Lobato disse: "Ainda acabo fazendo livros onde as crianças possam morar." Já pensaram? Megalópolis de livros - de Monteiro Lobato e de todos os outros talentosos autores- com infinitas portas para mundos múltiplos, mágicos, viáveis, inviáveis, possíveis, impossíveis, temidos e desejados?

Acreditar que SEMPRE era uma vez... Afinal, sem uma vez que era, nenhuma outra vez será!

domingo, 1 de abril de 2018

Mentira.





Envolveu cada verdade em uma lágrima e chorou uma a uma sentida e profundamente. Restaram apenas as mentiras. Secas. Curadoras. E única possibilidade de felicidade.

terça-feira, 27 de março de 2018

Circo.





Aquele era o seu mundo. Não conhecia qualquer outro. Por quantas cidades passavam, pra ela dava no mesmo. Não arriscava nem uma olhadinha pra fora. Mas dentro, ah...Só ali dentro era ela. Conhecia cada palmo do picadeiro, cada luzinha da ribalta, cada remendo da lona. E após cada espetáculo, com a vassoura na mão, limpava as terras de chãos após chãos e ousava ser além dela mesma. Varria. E tornava-se corajosa como o domador, engraçada como o palhaço e graciosa como a trapezista. Varria. Imaginava-se nas roupas coloridas e repetia cada fala e cada gesto que sabia como ninguém. Varria. E ouvia as crianças gargalharem e o público aplaudir de pé. Era a estrela. E varria. E esquecia que nem tinha nome, nem idade, nem passado. Tinha apenas as roupas velhas doadas aqui e ali. E um colchão no chão perto da jaula de elefante. E uma caneca e prato só dela, com uma rosa entalhada que um antigo malabarista tinha feito especialmente pra ela. E tinha a vassoura na mão todas as noites. E as terras de chãos que ela varria junto com o futuro que ela nem sonhava que existia.

(Publicado no Grupo Minicontos em 25.05.2014. Palavra-chave: PALHAÇO)

sexta-feira, 23 de março de 2018

Cunhado não é parente.








Quando moramos em Belo Horizonte, íamos à Ouro Preto toda Semana Santa. Uma das simpatias locais  era entrar em sete igrejas e, na última, ao sair, dar esmola a um dos inúmeros meninos pedintes que rondavam os visitantes e perguntar-lhe o nome: aquele seria o nome do seu futuro marido! Em uma dessas visitas, minha irmã mais velha, já adolescente, cumpriu o ritual e o nome do menino era Homero de Jesus. Ela não se casou com um Homero de Jesus, mas com um Darc Antônio, o que, para efeitos práticos, é quase a mesma coisa!

A Beth conheceu o Darc num ônibus quando já estávamos de volta ao Rio. Ele, estudante da PUC e morador do Cosme Velho. Ela, estudante do CAp-UFRJ e moradora da Rua General Glicério em Laranjeiras. 

O Darc morava numa casa dessas coloniais na Rua Cosme Velho. Seu pai, OBVIO, também se chama Darc. Darc Francisco. Um senhor alto, com cara de bravo, mas de grande coração. O tratamento carinhoso era "macaca" e brincava sempre que tinha acabado de passar pela banca do Seu Mario, figura mais do que conhecida na General Glicério, para ver a última revista  que falasse do Chico (ele mesmo, o Buarque), só pra implicar comigo ( eu já era chiquete assumida naquela época!). Sua mãe era Nair, o que nos rendeu trotes sem fim, em gargalhadas que não conseguíamos conter, inspiradas no personagem do Jô Soares que ligava sempre para "Nair, sua vaca, capivarona",etc."Ele tinha 2 irmãos, Paulinho e Ivan, e uma irmã, Monica. 

Eu tinha 12  e a Andréa 10 anos na época do namoro. Íamos sempre pra fazenda do pai dele, no Vale das Videiras, na época, uma aventura com direito a atoleiros, lamaçais e luz de lampião. A diversão favorita era o famoso jogo do copo, com espíritos que vinham nos visitar e revelar segredos. Uma vez, o Paulinho e seu amigo Jorginho fizeram várias gravações de correntes se arrastando, redes rangendo, portas batendo e puseram no nosso quarto. Quando fomos dormir, ouvimos os barulhos e, muito impressionadas com o jogo, saímos gritando e chorando pela casa! Fizemos também um filme épico, a feiticeira do Salém, em que a Andréa aparecia em vários pontos da fazendo com os seus feitiços. A Andréa, uma vez, ganhou um pintinho. Polegarina. O desgraçado piava sem parar e quando cresceu o suficiente para um apartamento, foi levado para a fazenda. Toda vez que chegávamos, a Andréa corria para ver a Polegarina! Dna. Nair sempre apontava uma das galinhas e a Andréa acreditava piamente que ela viveu anos e anos, quando, provavelmente, já tinha virado canja há tempos! Tenho ótimas lembranças dessa época!

Darc e Beth  casaram em 1972. Em 1974 nasceu, segundo suas próprias palavras, a decepção Marcela. Em 1976, ainda segundo suas próprias palavras, a grande decepção Flavia. Apenas em 1979 ele foi devidamente presenteado com o sonhado varão Eduardo. 

Vocês tinham que conhecer o Darc pra entender minimamente a figuraça que ele é. Impulsivo, intempestivo e reativo. Levantar da mesa contrariado é lugar comum. Desconfiômetro zero! Visões políticas muito particulares e controversas. Apaixonado por causas, dedicado a projetos até às últimas consequências. Agregador e articulador. Nacionalista. Leitor voraz e dono de uma das bibliotecas mais completas e diversas que conheço, com cada livro cuidadosamente catalogado.  Fluminense, claro. E vaidoso como poucos. Gosta de ternos, de casacos, de chapéus. Folião nos áureos tempos, adorava ir ao centro durante o carnaval. Consta nos autos da família que era figura frequente no Bola Preta... Provedor, cuidador, preocupado. Cheio de recursos, não se aperta nem se intimida. Uma das melhores foi quando a sogra norueguesa da Flavia veio ao Brasil e ele soube que ela estava gripada. Não titubeou: "do you have the grips?" E são tantas e tantas pérolas ao longo dessas quase 5 décadas de convivência!!

Mas o Darc é, sobretudo, generoso. Como poucos. Acolhedor. Como poucos. Adora a casa cheia, a mesa cheia, a família reunida. A fazenda do pai, agora dele, tem portas e coração abertos para quem quiser. Tem sido o local preferido das celebrações de Ano Novo e foi crescendo, crescendo, crescendo para acomodar a família que também não pára de crescer. Não há limites para o que ele proporciona para essas temporadas. 

Tornou-se um avô incrível! São 4 netos e 1 neta. Os netos noruegueses, loirinhos, são a cara dele, claro! O filho do filho é o TRONCO! E com  os gêmeos, de urros e choros como se vissem o bicho papão à convivência amorosa que ele sempre constrói. Ele não dá o braço a torcer, não! Visita os netos, leva aos jogos de futebol, ajuda com os estudos, conversa, se emociona. 

Mas o mais fantástico dessa figura que é o meu cunhado é o universo paralelo em que ele vive. Quem o conhece sabe o que estou dizendo. Costumo brincar dizendo quem na minha próxima encarnação, quero nascer nesse mundo. Que mundo fantástico! Lá, ele não é o amigo do rei. Ele é o próprio rei! Príncipe das Astúrias Negras. Tudo é sobre ele, para ele, com ele, dele. Lá, ele está sempre certo. Sempre é ovacionado, reconhecido, admirado.  E é sempre assediado. Dos tempos de adolescência no Cosme Velho aos dias atuais, a mulherada não dá trégua. Minha irmã não imagina o que ele passa! Aliás, minha irmã é a mulher mais feliz do mundo e não tem ideia da sorte que tem  pela vida fácil que ele luta para proporcionar. ! A dele é que é dura, difícil. E, acreditem, os suspiros profundos geram empatia!

Essa figura está completando 70 anos! 70 anos que lhe rendem um considerável legado. Uma família unida e estruturada. Uma carreira consolidada. Amizades duradouras. Interesses e projetos diversos que lhe garantem ocupação, diversão e conhecimentos renovados.

Mas a maior sorte da sua vida foi, sem dúvida, pegar aquele ônibus voltando da PUC. Não só conheceu a mulher mais incrível do mundo, como ganhou, de quebra, as melhores cunhadas!!

É certo que  cunhado não é parente. Mas após quase 5 décadas de convivência, o Darc chega bem perto do parentesco.  Muito bom tê-lo em nossas vidas! Aliás, não há nem como imaginar as nossas vidas sem ele!

Pelos 70 bem  vividos e todos os anos ainda por vir: SAÚDE, ALEGRIAS E QUE O SEU MUNDO PARTICULAR SEMPRE CRESÇA E FLORESÇA!




segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Tia Guanahyra.


Aniversário de 75 anos - Fraga, Beth, Ieda, Cristina, Guana e Maria Alice


Tia Guanahyra era a 7ª dos 10 filhos dos meus avós maternos e a caçula das meninas. Não me perguntem de onde tiraram esse nome! Nunca conheci ou ouvi falar de outra Guanahyra no mundo!

Tia Guana tinha apenas 14 anos quando os meus pais se casaram e, junto com mais 2 irmãos menores, veio morar com eles para aliviar um pouco a minha avó, já viúva e com dificuldades para criar tantos filhos. Nada mais natural do que tornar-se madrinha da minha irmã mais velha! Foi a  tia de maior referência na nossa infância!

Mudamos para Belo Horizonte assim que eu nasci. Como ela já namorava o tio Abelardo, voltou para a casa da minha avó até o casamento. Meu pai entrou com ela na igreja como se fosse uma filha. E acho, mesmo, que ela sempre foi mais filha do que irmã da minha mãe.

Casamento com tio Abelardo


Tio Abelardo foi um presente nas nossas vidas! Não havia tio mais amoroso e engraçado! E eu tive o privilégio de tê-lo para padrinho de batismo! Entre tantos sobrinhos que disputavam sua atenção, sentia-me especial. Com o tio Abelardo, ganhamos mais uma família. Seu Astor, o seu pai, era o avô que já não tínhamos. Gordo, bonachão e tão carinhoso! D.Ida, sua mãe, era a pessoa mais magra que eu conheci. E ele tinha um monte de irmãs, que tornaram-se amigas e tias emprestadas. A gente adorava ficar na casa da tia quando íamos de férias ao Rio! Sentíamos verdadeiramente em casa!

Tio Abelardo e tia Guana iam sempre a Belo Horizonte nos visitar. Morávamos na Rua Ramalhete, no bairro da Serra, imortalizada na canção de Tavito. Uma rua e seus ramalhetes. Era uma rua de apenas um quarteirão, mas com um monte de crianças! Quando eles chegavam, era uma festa! Tio Abelardo sempre inventava alguma coisa e a gente aproveitava! A maior das aventuras foi um dia que ele combinou um passeio até o pé das montanhas no final do bairro. Éramos 15 crianças ao todo, entre os meus irmãos e os nossos amigos da rua. Eu não me lembro ao certo quantos anos eu tinha, mas sei que era bem pequena, talvez cinco ou seis anos. Andamos, andamos, andamos e andamos mais e o dia foi passando, passando, e acabamos chegando, já à noite, em Nova Lima, um outro município!! Lembro vagamente desse dia... Mas lembro de estar exausta e o tio coordenar com os meninos a confecção de uma padiola para me transportarem. Lembro desse nome até hoje. Padiola. Fato é que fui carregada como uma princesa por quase todo o trajeto! Quando chegamos em Nova Lima, o tio ligou  da delegacia para a casa dos meus pais. A rua estava em polvorosa, as mães desesperadas, rezando novenas, os pais se organizando para  irem atrás de nós. Um rebuliço!  Achavam que algo muito sério tinha acontecido. Foram nos buscar tarde da noite em comitiva. O tio levou a maior espinafração da face da terra!! Dos pais, das mães e, principalmente, da tia!  Mas nós, as crianças, nunca fomos tão felizes! Essa aventura marcou tanto a nossa infância que era lembrada sistematicamente e citada, inclusive, em livro escrito sobre o bairro da Serra.

Tio Abelardo virou estrela quando eu tinha apenas 10 anos. Foi uma enorme comoção entre os nossos amigos da Rua Ramalhete. Uma perda que sinto até hoje...

Estávamos de mudança de volta para o Rio e a tia Guana viveu o seu luto conosco. Passava temporadas na nossa casa e minha mãe e meu pai davam-lhe o colo que ela precisava.

Tia Guana e tio Abelardo, após algumas tentativas frustradas, tiveram a sua única filha: Márcia. Meu irmão era o seu padrinho. Marcinha era um ano mais nova que a Andréa e tinha a maior coleção de bonecas que se possa imaginar! Eu amava passar os dias na casa da tia brincando com as bonecas da Marcinha! Marcinha era gordinha, bem gordinha, e a obesidade aumentava conforme ela crescia. Uma pena... Ela tinha o rosto lindo e era uma menina alegre e extremamente carinhosa!

Alguns anos depois, tia Guana conheceu um português: Fraga. Casaram-se. Tínhamos o pé atrás, uma certa desconfiança com aquele que veio ocupar o lugar do nosso tio querido. Essa resistência foi rapidamente desfeita, pois o Fraga nos adotou com o coração aberto! E ele fez a minha tia tão feliz! Um grande companheiro e um pai dedicado pra Marcinha! Um homem suave, inteligente, adaptável. Braços sempre abertos! E a tia Guana retomou a vida plena que ela tanto merecia.


Guana, Fraga e Marcinha


Tia Guana era alegre, alto astral, vaidosa, muito sociável,  intrometida, comprava brigas com o que acreditava. Sempre foi uma tia presente, amorosa e interessada. Adorava receber e cozinhava muito bem! Mas teve uma vida difícil e de muitas perdas.

Marcinha virou estrela em 2012,  por complicações que a obesidade lhe causou ao longo dos anos. Foi muito chocante, para todos nós, absorver a perda da nossa prima.

Fraga virou estrela em seguida. E a tia se viu sem o seu companheiro e sem a sua única filha. Muito difícil.

Sua saúde deteriorou. Passou a viver no seu mundinho e com poucas conexões com a realidade. Mas continuava alegre e leve! Adotou um cachorrinho de pelúcia como verdadeiro e o levava para todos os lugares. Quando descia no playground do prédio, a  criançada todo vinha ver o "cachorro".  E ela ficava feliz quando tratavam bem o seu cachorrinho...

Minha irmã mais velha ia vê-la  todos os dias. Chegava depois do trabalho e assistiam juntas a novela das 6. A tia ria, brigava com os vilões, se metia nos diálogos. No seu mundinho à parte... Meu primo William também ia sempre visitá-la e minha prima Dunga almoçava com ela toda semana.

Ontem à noite, em pleno domingo de carnaval, tia Guanahyra virou estrela. Quando minhas irmãs chegaram, ela já tinha partido.

Sensação estranha... Tristeza por perder a nossa tia tão querida... Alívio por ela ter partido sem dor. E uma felicidade doce por ela ir ao encontro dos amores de sua vida.

Que Marcinha, tio Abelardo e Fraga a recebam com amor e conforto.

E que o céu se prepare pois, com esse nome e essa personalidade, vai causar!!

sábado, 27 de janeiro de 2018

Lady Cookie.




Essa é a Cookie. Lady Cookie. Ela foi meu (????) presente de Dia das Mães em 1999. Morávamos no Rio nessa época e eu tinha vindo a São Paulo resolver alguns problemas da nossa casa aqui. Cheguei tarde e exausta de volta ao Rio e encontrei o meu quarto trancado. Sem pensar muito, fui dormir no quarto da Marina e lembro vagamente de ouvir um chorinho, mas nem de longe podia supor que fosse na minha casa! No dia seguinte, ao acordar, ganhei essa figurinha de presente que, claro, tinha passado a noite trancada no meu banheiro para que não a visse! Era uma filhotinha linda! E tão pequenininha perto do Trovão, o outro labrador preto que já tínhamos.

A Cookie apresentou um sangramento logo nos primeiros dias e nunca soubemos ao certo  o que foi. De cio precoce a infecção bacteriana, essa cachorrinha deu trabalho! Eram 2 idas diárias ao veterinário para injeções e contagem hormonal. O resto do dia, colo. Foi assim que conheci vários veterinários no Rio, clínicas de ultrassonografia veterinária, injeções, antibióticos e etc. E a Cookie no colo.

Quando ficou boa, pode, finalmente, aproveitar o espaço da casa e, principalmente, a companhia do Trovão, de quem se tornou sombra. Até ele se tornar sombra dela! Ela fazia o que queria dele! Comia a sua comida, deitava no seu tapetinho, bebia a sua água. Era a rainha absoluta! Fazia as artes e corria com cara de santa pra não ser pega. Sobrava sempre pra ele, bobalhão, que não tinha malícia alguma e apenas nos olhava com a sua cara tão típica de desamparado.

A Cookie era mesmo uma lady! Deitava-se languidamente no jardim, sempre com as patinhas dianteiras cruzadas. Gostava de mergulhos na piscina de madrugada. Comia com elegância - a comida do Trovão! Mas não gostava de banho. Quando eu chegava com a toalha e o shampoo, o Trovão corria na minha direção. E ela corria na direção oposta!

Quando vendemos a casa, foram os três - nessa altura já tínhamos também a Mel, outra labradora chocolate - para o sítio do Fernando em Minas. E lá viraram cachorros de roça. Trovão morreu. Mel morreu. E Lady Cookie viveu longos quase 16 anos, embora já muito debilitada nos últimos anos. 

Nossa Cookinha se foi em 27 de janeiro de 2015, encerrando a era Trovycooksmel,  como os meus filhos chamavam o trio. 

Hoje, ao lembrar os três anos de sua partida, encho-me de ternas lembranças, de amor e agradecimento pelo tanto que ela enriqueceu Daniel e Marina, pelo tanto que eles aprenderam sobre doação e carinho e pelo tanto que recebemos - todos!

E penso em uma constelação de 3 estrelinhas piscando juntas e felizes! Com Lady Cookie, obviamente, dando todas as ordens! 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

São Paulo. 464 anos de tantos avessos...

Nasci no Rio, passei a minha infância em Belo Horizonte, minha adolescência de volta ao Rio e minha vida adulta em São Paulo. Sou a pessoa mais sortuda do mundo por ter vivido o melhor dos mundos nesses mundos!

São Paulo tem sido a minha casa há exatos 40 anos! E meu deu/tem dado oportunidades e felicidades. Aqui me preparei acadêmica e profissionalmente. Fiz amigos tão queridos. Criei a minha linda família. Como não amar a cidade que me deu o melhor e mais precioso?

Ninguém - nem mesmo o  mais paulistano dos paulistanos, conseguiu  definir São Paulo tão bem como Caetano Veloso!  Porque São Paulo é, sim, a cidade dos avessos. É o colorido no cinza. O arco-íris na garoa. O silêncio reconfortante no barulho ensurdecedor. O familiar no  desconhecido. O aconchego na adversidade. A humildade na ostentação. O generoso no egoísmo. A organização precisa no mais absoluto caos. A civilidade na barbárie. A vida que pulsa na desesperança de vida.

E é assim, nesses e pelos avessos, que a gente descobre, por querer ou sem querer, outras formas de beleza.

E a gente ama. Aprende a amar.  Escolhe amar. Sem querer. Ou por  querer. Até mesmo cinzamente. E tão lindamente. Talvez até mesmo por isso. Ou apesar disso. E por todas as outras tantas coisas que acontecem nos corações.

Eu, pelo mais puro e profundo querer, amo São Paulo!!