segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de abril. Pra não dizer que não falei de flores.

"Sei que há léguas a nos separar... Tanto mar, tanto mar... Sei também que é preciso, pá... Navegar, navegar... Canta a primavera, pá... Cá estou doente... Manda urgentemente... Algum cheirinho de alecrim..." 
(Tanto Mar - Chico Buarque)






A Revolução dos Cravos em Portugal completa hoje 42 anos. Em léguas de mar de lá e em léguas de mar de cá, os ideais de liberdade e democracia exalavam vermelhos e intensos.

Após quatro décadas, vivemos sombrios outonos primaveris. Extremismos religiosos e políticos, contaminação de preconceitos, patrulhamento das liberdades coletivas e individuais, banalização dos valores éticos, morais e humanistas essenciais. Adoecemos em aridez.

Coincidentemente - ou não - nas nossas léguas de mar de cá, inciamos hoje no Senado um importantíssimo processo político e determinante para a lenta recuperação do caos em que estamos mergulhados. Longe de ser o cenário ideal. Longe de ser a composição política qualificada e isenta. Longe de espelhar o respeito pelas diferenças ideológicas desejável e necessário.Longe de qualquer anseio coletivo. Mas assim construímos a nossa representatividade. E é ela que nos conduzirá a qualquer que seja o desfecho, dentro da democracia defendida pela imensa maioria, seja de que lado estejamos.

Historicamente, as transformações se dão justamente dos impasses.

Que esse 25 de abril amanheça florido em posturas e decoro responsáveis . E que cravos em orquestração anárquica promovam novas revoluções. Pacíficas. Pessoais. Coletivas. Profundas. Democráticas. Libertadoras. Salvadoras.

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